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segunda-feira, 4 de julho de 2011

Utilidade Pública: São Paulo, a cidade travada!!

Nação,

Final de semana sem futebol, porque o joguinho tosco da Seleção não conta, abro esse espaço para utilidade pública, e aproveitar para tecer alguns comentários sobre o que considero um processo de "travamento" da cidade de São Paulo.

Hoje a CET reduz a velocidade máxima permitida em diversas vias da cidade, com destaque para a Avenida Paulista, que passa a ter o limite de 60 km/hora. Abaixo a lista completa.

A justificativa como sempre é o de procurar reduzir acidentes. Algo nobre, lógico, e que ninguém será louco de se dizer contra. Mas no fundo a gente sabe que os objetivos são bem menos nobres, e o que se espera mesmo é aumentar o poder de arrecadação, com a já famosa indústria das multas.

São Paulo é a capital do congestionamento no Brasil. Talvez no Mundo. E quando raramente se tem a oportunidade de andar, o motorista precisa dirigir como se estivesse numa procissão, devagarinho, quase parando. Fala a verdade, é fóda. Moro fora, mas vou com frequência para a Metrópole para visitar parentes e amigos, e muitas vezes a trabalho, e me angustia ver a forma como se dirige ultimamente em São Paulo.

Não a toa a cidade registra diariamente centenas de ocorrências de briga no trânsito. O cara vive parado, e quando libera, não pode andar, aí a tensão é permanente, e qualquer coisa é motivo para briga.

Vivo repetindo que as pessoas  não percebem porque estão dentro, envolvidas. Mas nós que vemos de fóra identificamos claramente esse processo de transformação negativa na cidade. São várias medidas demagogas, hipócritas, descabíveis para uma cidade da importância de São Paulo, e isso vai transformando a vida na capital, deixando muito pior. Recentemente saiu uma pesquisa e cerca de 60% dos paulistanos diziam que deixariam a cidade se pudessem, o que comprova o descontentamento coletivo com a qualidade de vida dos seus moradores.

São muitos aspectos que contribuem para isso, como violência, poluição, mas essas ações também tem peso. A política da "chatice" faz o clima ficar mais pesado, as pessoas mais fechadas e menos empolgadas com o local onde vive.

É muita "coisinha", a cidade vai ficando "quadrada" como disse um amigo meu. Muito controle sobre tudo, e sem controlar nada de fato. 

Outra baboseira é a tal Lei Cidade Limpa, que tirou os outdoors da cidade e deixaram ela com cara de vila de interior, e não da metrópole pulsante que sempre foi. Sem dizer que a tornou mais perigosa, pois os tais outdoors deixavam as vias mais iluminadas a noite, o que reduzia o risco de assaltos. Hoje pela manhã vi uma reportagem na Avenida Braz Leme e fiquei estarrecido em ver como ela está escura. O perigo é claro, de assalto, de acidente, e sem dizer que tirou todo o brilho do local. Me lembro que passava por lá antigamente e o local era pura adrenalina, toda iluminada, cheia de bares. Era muito legal, assim como vários outros lugares. Agora, parece um cemitério. Passei recentemente na Avenida Sumaré e foi a mesma coisa. Aliás, passei até vergonha, porque estava com uns camaradas cariocas, que me perguntaram onde estava a tal das "luzes da cidade", da adrenalina da noite paulista. 

E aí não podemos esquecer também a questão dos nossos estádios. São Paulo é o único lugar do Brasil que não se pode mais festejar dentro dos estádios. Não pode entrar com bandeiras, não pode sinalizadores, papel picado, fumaça.. não pode porra nenhuma. Cara, é muito chato. Aí ainda temos que aguentar a imprensa esportiva paulista, a mais suja e demagoga do país, babar ovo para a festa feita nos outros estádios pelo Brasil. Porque eles não defendem a liberação da festa no seu Estado? São uns abutres, uns lixos.

Enfim, a forma que a cidade e o estado são administrados nos últimos 15 anos pelo menos, na mão de partidos neo-liberais elitistas, determinam essas ações, o que tornam a cidade extremamente chata.

Quem mora aí sabe do que estou falando, e mesmo não concordando totalmente, vai me dar razão na maior parte. Mas o mais triste é que mesmo sofrendo com essa política do "travamento", ninguém faz nada, porque estão muito ocupados vivendo suas vidas. A cidade, a vida coletiva fica em segundo, ou melhor, último plano.

Talvez por isso a reação sem sentido em torno da construção do estádio do Corinthians, palco da abertura da Copa do Mundo. Se existisse um sentimento coletivo de amor a cidade, com certeza o discurso mentiroso, falso moralista e oportunista de vários jornalistas medíocres não ganhariam eco junto a população, mesmo considerando a questão clubistica. O negativismo vem mais dessa coisa de cada um ver o seu lado, e não o bem coletivo. Isso é o mais triste.

Quem sabe a coisa melhore. Minha esperança é que nas próximas eleições a população tenha consciência e vote em pessoas que enxerguem a cidade como um todo, e que gostem dela. Porque os últimos não gostam, apenas a utilizam como palanque para voos políticos mais altos. 

Com pessoas que entendam e respeitem a grandeza da maior Metrópole do Mundo, quem sabe SP volte a ser a "Paulicéia Desvairada" que tanto orgulha seus moradores e que desperta a admiração em todo o País.

Valeu!

Confira as vias que tiveram a velocidade reduzida
Vias
Anterior
Atual
Avenida 23 de Maio
Avenida Rubem Berta
80
Km/h
70
Km/h
Avenida Doutor Abraão Ribeiro
Avenida Pacaembu
Avenida Jornalista Roberto Marinho
Avenida Washington Luís (entre a Avenida dos Bandeirantes e a Rua Vieira de Moraes)
Avenida Interlagos
Avenida Senador Teotônio Vilela
Avenida Francisco Matarazzo
Elevado Costa e Silva
Viaduto Radial Leste
Avenida Alcântara Machado
Rua Melo Freire
Avenida Conde de Frontin
Avenida Antonio Estevão de Carvalho
Rua Dr. Luiz Ayres
Avenida José Pinheiro Borges (Nova Radial)
Avenida Jabaquara
Rua Sena Madureira
Avenida Domingos de Moraes
Avenida Noé de Azevedo
Rua Vergueiro
Avenida Doutor Ricardo Jafet
Avenida Abraão de Morais
Avenida do Estado
Avenida Cruzeiro do Sul
Avenida Dom Pedro I
Avenida Nazaré
Avenida Ordem e Progresso
Avenida Brasil
Avenida Antártica
Avenida Pedro Álvares Cabral
Rua Henrique Schaumann
Rua Manoel da Nóbrega
Viaduto Antártica
Avenida Doutor Arnaldo
Avenida Paulista
Avenida Bernardino de Campos
Avenida Professor Noé de Azevedo
Avenida Jabaquara
Avenida Engenheiro Armando de Arruda Perreira
Avenida Doutor Hugo Beolchi
Rua Heitor Penteado
Rua Domingos de Morais
Rua Vergueiro
70
Km/h
60
Km/h

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Utilidade pública: votar em bambi faz mal para sua cidade!!


Nação,

Ao ver minha querida São Paulo debaixo de água ontem, tinha que escrever alguma coisa.

Mas como 90% do que eu teria para escrever seria impublicável, pelo número de "elogios" ao governo do bambi kassab e do porco serra, então prefiro reproduzir uma excelente matéria que saiu a pouco no site uol, que desmente todas as explicações furadas do prefeitinho, deixando cada vez mais claro o "tiro no pé" que a população paulista deu ao votar nesses lixos que estão acabando com a cidade.

09/12/2009 - 07h00
Contrariando Kassab, números mostram que SP já teve mais chuva com menos caos
Arthur Guimarães
Do UOL Notícias
Em São Paulo


Apesar da alegação do prefeito Gilberto Kassab (DEM) de que o caos desta terça-feira (8) foi causado pela chuva com "volume acima do normal", levantamento feito pelo UOL Notícias mostra que historicamente a cidade já enfrentou com muito mais tranquilidade índices pluviométricos similares ou maiores do que o registrado ontem.

Pelo dados do Instituto Somar de Meteorologia, baseados nas medições do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), das 9h de segunda-feira (7) até as 9h de ontem, São Paulo foi atingida por 100 mm de chuva.
SP ontem teve pico de 98 pontos de alagamento

Nesse contexto, o Centro de Gerenciamento de Emergência registrou um pico de 98 pontos de alagamento na cidade, sendo pelo menos nove na marginal Tietê.

Em 8 de fevereiro de 2007, por exemplo, os mesmos cálculos mostram que o município teve um índice de 103 mm de chuvas. Naquela ocasião, no entanto, o drama para os paulistanos foi bem menor.

Naquele dia, foram registrados apenas 54 pontos de alagamento - contra os 98 de hoje. Não se pode dizer que o tráfego na marginal Tietê foi normal para os motoristas na data. Especialmente entre a ponte da Freguesia do Ó até o estádio do Canindé, a situação foi crítica. Mas, pelo menos, não houve registro de alagamento na via.

Antes disso, em 10 de março de 2006, os temporais também castigaram a cidade. Pelos registros do Instituto Somar, foram medidos 95 mm de chuva na capital, apenas 5 pontos a menos do que ontem. Porém, para quem circulou por São Paulo, os entraves foram muito menos evidentes e, o transtorno, bem menos contundente.

Naquele dia, foram somente 16 pontos de alagamento. Houve inundações na av. Valdemar Roberto, no Rio Pequeno, e de uma casa no Jardim Pinheiros, no Butantã. Mesmo assim, nem de longe os estragos se comparam aos vistos na última terça-feira (8), quando seis pessoas morreram em desabamentos e deslizamentos.

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, culpou o volume de chuva, acima do normal, nas cabeceiras do rio Tietê pelos problemas que a cidade enfrenta hoje. Ele negou ainda que a falta de planejamento tenha agravado o impacto das chuvas no trânsito

Cerca de um ano antes, em 25 de maio de 2005, os cruzamentos de dados também mostram que as alegações do prefeito Kassab não explicam o caos de ontem. Naquela ocasião, a chuva foi cerca de 20% mais forte do que a registrada na manhã de ontem: 125 mm, segundo o Instituto Somar.

Mesmo com o índice bem superior, a cidade sofreu tanto quanto na última terça-feira. Foram cerca de 103 pontos simultâneos de alagamento - número próximo dos 98 de ontem. Naquele dia, a marginal Tietê também encheu, mas principalmente em um ponto. Ontem, as autoridades registraram nove trechos com problemas.

Explicações

Para Mônica Stuermer, professora de mecânica do solo na Universidade Presbiteriana Mackenzie e doutora em geotecnia ambiental pela Universidade de São Paulo (USP), são várias as hipóteses que podem ser levantadas sobre a contradição numérica.

"A situação tende a piorar quando há problemas na limpeza das ruas e dos córregos. E a falta de parâmetros para a construção civil, que impermeabiliza a cidade sem um controle rígido, sem uma preocupação, também pode ser um motivo para esse aumento nos transtornos gerados atualmente", argumenta.

Segundo ela, as obras de expansão da marginal Tietê também podem causar problemas maiores para o paulistano na região de várzea. "Ao lado de rios desse porte devem ser feitos parques, onde a água pode se infiltrar. Temos que respeitar a vocação ambiental de cada território. Ali, não se pode ocupar dessa maneira, sem estudos aprofundados. Igualmente não adianta replantar as árvores que estavam lá do 'outro lado do mundo'. Não é assim que a natureza funciona", afirma.

Ela também teoriza sobre o impacto que a falta de limpeza do rio Tietê poderia eventualmente ter sobre as cheias. "Em 1890, a vazão era de 175 metros cúbicos por segundo. Hoje, esse valor está em 1420. Se não houver um trabalho constante para tirar o assoreamento, o que não sei se está sendo feito, não há solução para evitar os transbordamentos."

A relação nem sempre cartesiana entre pontos de alagamento e índices pluviométricos também pode ser explicada pela localização das chuvas, pela análise da especialista. "Pode ter chovido em áreas de bacias mais impermeabilizadas e com maior número de córregos retificados e canalizados, o que faz a água chegar muito mais rápido na várzea do Tietê", diz.

Para ela, a única solução para enfrentar a questão é pensar de forma séria o planejamento urbano. "O Atlas Ambiental precisa servir de base para o crescimento da metrópole, cruzando os usos dos espaços com suas características naturais", afirma.

Problema em bomba
Uma bomba do sistema da usina elevatória de Traição não funcionou ontem e foi o maior problema no rio Pinheiros, que comprometeu 25% da capacidade de bombeamento e piorou ainda mais a capacidade de escoamento das águas do rio Tietê, na capital paulista, segundo a Secretaria Estadual de Saneamento e Energia (SSE), em comunicado divulgado ontem à tarde em conjunto com o Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee) e a Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae).

De acordo com a SSE, os radares registraram chuva de intensidade média de 84 milímetros na bacia do Alto Tietê, que corresponde a dois terços de toda a chuva prevista para o mês de dezembro. O órgão estadual atribui a esse volume excessivo de chuvas no Alto Tietê a origem dos pontos de inundação. Em média o rio Tietê subiu 7 metros e o rio Pinheiros, 4 metros.

O Daee afirmou no comunicado que executa periodicamente o desassoreamento e a limpeza dos rios Tietê, Cabuçu de Cima, Tamanduateí e dos piscinões do ABC e Pirajuçara e que só neste ano já foram retirados 380 mil metros cúbicos de sedimentos. A Emae disse que, por sua vez, retira 200 mil metros cúbicos de sedimentos e assoreamento, além de 2,8 mil toneladas de lixo por ano do rio Pinheiros. A nota da SSE conclui que é necessário lembrar a população de que é preciso colaborar, não jogando lixo nas ruas, córregos e rios.