Nação,
Criou-se uma coisa na torcida do Corinthians, que não existia, de que ou se apóia cegamente ou então vira corneta.
Onde está aquela coisa mágica e fundamental do futebol que é discutir? O futebol é isso, discussão.
No bom sentido. Aquela coisa de roda de bar, onde você fala de tal jogador, porque o outro não ataca, que não faz gol, do goleiro frangueiro, do técnico que não enxerga, do jogo roubado, etc.
E isso entre torcedores do mesmo time e também com com rivais.
Isso é a essência do futebol. Discutir, analisar e se colocar no lugar do técnico.
É isso que a Fiel está fazendo nesse momento. E isso é bom.
Tão bom que foi por causa das críticas no início da temporada no ano passado que o Mano arrumou o time.
Quem não se lembra que era a mesma coisa, equipe travada, lenta, insistindo com 4 volantes, rei dos empates.
Quando começamos a discutir, a criticar e a dar sugestões, o Mano ouviu o clamor da torcida, e resolveu montar a equipe dentro da sua vocação, que era atacar. Colocou 3 atacantes, Dentinho, Ronaldo e Jorge Henrique, e liberou os dois laterais, André Santos e Alessandro a subirem constantemente. Douglas, que no início da temporada estava apagado porque o Mano queria transformá-lo em volante também começou a atuar mais próximo dos atacantes, e se firmou de fato como maestro.
Guardada as devidas proporções, está acontecendo o mesmo agora. Na busca da equipe ideal, nosso comandante está complicando as coisas mais que o necessário. Primeiro, porque não deixa a equipe titular ter sequencia. Quando precisa poupar 1 ou 2 jogadores, ele inexplicavelmente saca logo uns 6 ou 7, quebrando qualquer possibilidade de entrosamento da equipe.
Jorge Henrique começou bem a temporada, fazendo gols e dando aquelas arrancadas. Aí os adversários passaram a marcá-lo mais forte. Natural, é isso que acontece com quem se destaca. E qual a solução achada pelo Mano? Tirá-lo do ataque, fazendo-o jogar como se fosse mais um volante. Está errado. A saída que deveria ser encontrada é buscar mais alternativas de ataque, de forma que os adversários tenham mais gente com que se preocupar. Ou seja, ao invés de reagir o Mano está fazendo a equipe se acovardar.
Quando as coisas se resolvem todo mundo esquece. Mas eu não esqueço. A equipe no ano passado não evoluiu e melhorou naturalmente. Teve sim uma pressão, e se o Gordo não tivesse feito aquele gol de cabeça no último segundo empatando com os porcos nós não teríamos avançado no paulistão e não seríamos campeões invictos.
Depois daquele gol a equipe se fechou, e principalmente, o Mano mudou o esquema, deixando a equipe solta.
É o que estamos pedindo agora. Talvez não seja tão fácil, porque falta entrosamento. Mas entrosamento só virá com sequencia de jogos. E jogar da mesma forma na maior parte do tempo.
O empate contra o Independiente foi imperdoável pela postura da equipe. E o que nos deixou mais apreensivos e revoltados é que ficou nítido que não era um desejo do time, dos jogadores, e sim, ordens do técnico.
Empatar um jogo no sufoco, num gol milagroso, quando poderíamos ter enfiado uns 5 ou 6.
Então, apoiar sempre, mas se calar nunca. Esse é o nosso papel.
E por isso o futebol, apesar das mazelas dos dirigentes, é uma das poucas coisas nesse país que funciona de fato.
Porque é o único lugar que o povo realmente participa, tem voz ativa, seja torcendo ou discutindo, cornetando, fazendo pressão, sei lá.
Mas participa e isso normalmente muda rumos, para o bem ou para o mal. Mas muda. Se na política fosse assim, não teríamos tanta sacanagem como vemos diariamente.
E quando a fiel participa a história mostra que nos tornamos mais fortes e muitas vezes imbatíveis.
Ser cordeirinhos não combina com o espírito guerreiro de São Jorge.
Vai Corinthians, e se liga Mano!
Valeu!
