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sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Ministério do Turismo confirma que estádios para copa 2014 serão reformados com recursos públicos!!!



Nação,

Abaixo matéria do site uol, confirmando que a farra do dinheiro público na reforma de estádios particulares já começou.


04/09/2009 - 07h01
Ministério do Turismo 'contraria' Lula e banca reforma de estádio para Copa-2014
Thales Calipo
Em São Paulo


De nada adiantaram as insistentes negativas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro do Esporte, Orlando Silva Jr., sobre a utilização de dinheiro do governo federal na reforma de arenas para a Copa do Mundo de 2014. O estádio Independência, que faz parte do projeto de Belo Horizonte para o Mundial, poderá receber R$ 48,5 milhões provenientes do Ministério do Turismo.


O estádio Raimundo Sampaio, conhecido como Independência, tem capacidade para 18 mil pessoas e é administrado atualmente pelo América-MG. Como o Mineirão deve fechar a partir de 2010 para as reformas da Copa do Mundo de 2014, o local pode servir como alternativa para algumas partidas de Cruzeiro e Atlético-MG.

Para reformar o Independência, no entanto, o governo teve de conseguir um laudo de viabilidade econômica e uma licença ambiental, documento este expedido pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente.

Além disso, o governo teve de superar outro problema. O Independência havia sido penhorado, por conta de dívidas do América-MG. O clube teve de colocar outro imóvel como garantia para a Justiça.

Mesmo sem confirmar que o dinheiro para a reforma sairá do orçamento do Ministério do Turismo, a Secretaria de Esportes e da Juventude de Minas Gerais não esconde que receberá dinheiro do governo federal para investir no estádio. Matéria publicada na última sexta-feira no próprio site da pasta diz que "o custo das obras de reforma do Independência é de R$ 50 milhões, sendo R$ 20 milhões do Tesouro Estadual e o restante do governo federal".

Apesar de o valor divulgado pelo governo mineiro ser menor, o Tribunal de Contas da União (TCU) confirmou que, no orçamento do Ministério do Turismo de 2009, aprovado ainda no ano passado, consta um total de R$ 48,5 milhões apenas para a 1ª fase das obras no estádio Independência.

O Ministério do Turismo, por meio de sua assessoria de imprensa, afirmou que a previsão de investimento para o Independência é de R$ 10,2 milhões. Esse valor, ainda segundo a pasta, esta previsto no orçamento de 2008, e não no deste ano.

Independentemente de ir contra o que era defendido pelo Planalto, o TCU não pode impedir que o dinheiro seja usado na reforma do Independência. Mesmo assim, a verba está bloqueada no momento, mas por outro problema: a ausência de licenças, além de outras irregularidades no projeto tocado pelos mineiros, segundo o ministro do tribunal e responsável pelo embargo, Raimundo Carreiro.

O precedente criado no estádio Independência, que é administrado pelo América-MG, pode beneficiar o São Paulo. Sem conseguir parceiros na iniciativa privada, o clube trabalha para conseguir levantar os cerca de R$ 300 milhões necessários para a reforma do Morumbi.

O presidente tricolor, Juvenal Juvêncio, confirmou que o clube tentará levantar parte da quantia com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES).

A proposta gerou muitas críticas, por se tratar de um órgão do governo federal, mas o próprio ministro do Esporte, Orlando Silva Jr., explicou algumas vezes que a operação é similar à feita em qualquer instituição financeira, já que o São Paulo pagará juros pelo empréstimo.

Situação semelhante pode viver o Internacional e o Atlético-PR, donos do Beira-Rio e da Arena da Baixada, respectivamente. Os dois estádios também devem representar Porto Alegre e Curitiba na Copa de 2014.

"O estádio tinha problemas com o terreno e não conseguiu a licença ambiental. O secretário [estadual de Esporte, Gustavo Correa] pediu para fazer a licitação primeiro, e depois regularizar. Infelizmente não posso fazer nada contra a lei. Ele me disse que poderia atrapalhar o plano para a Copa do Mundo, já que a ideia era reformar primeiro o Independência, e depois o Mineirão", explicou Carreiro.

Além da liberação de verba feita pelo governo federal não ser justificada pelos envolvidos e levantar suspeitas em torno de todo o processo de construção e reforma das arenas para a Copa de 2014, resta descobrir o porquê de este dinheiro sair da conta, justamente, do Ministério do Turismo.



Comentários

Nem uma criancinha de 2 anos acredita que os estádios indicados para a Copa serão reformados sem dinheiro público. Isso já é questão encerrada. O Ministro Orlando Silva vai manter o discurso de negativa apenas para fazer curtina de fumaça.

Obviamente, com o precedente que será aberto pelo América MG, os bambis terão o caminho livre para reformar o Morumbi com recursos estritamente públicos.

Se bem que essa nem é questão principal. Porque os valores empregados diretamente nos estádios, alguns bilhões é verdade, representam a menor parte da dinheirama que irá jorrar por conta dessa copa. Tomando como parâmetro a cidade de São Paulo, estão previstos cerca de R$ 300 milhões de aplicação direta na reforma do Morumbi, e cerca de R$ 35 bilhões de investimentos em infra-estrutura. Esse que é realmente o ponto. Porque a cidade de São Paulo vai canalizar todo esse dinheiro numa região que não carece desses recursos?

O raciocínio que será utilizado pelos clubes beneficiados é o seguinte: se o governo já irá gastar mais de R$ 100 bilhões na infraestrutura, que custa mais uns 2 ou 3 bilhões direto nos estádios? Essa é a lógica que irá viabilizar a aplicação direta de recursos públicos na reforma dos estádios.

Ou seja, prá que meio absurdo se podemos ter o absurdo completo???!!!

Está na hora do povo brasileiro deixar de ser "público" e agir como "povo" mesmo. É o nosso dinheiro que está em jogo.

E se o bambi fc, além dos bilhões em infra-estrutura, vai receber centenas de milhões pare reformar seu arcaico estádio, porque os outros clubes não tem direito de também receber recursos para construção ou reforma de seus estádios?

O Corinthians teria todo direito de reinvindicar também a construção de seu estádio, assim como o Palmeiras, o Santos e a Portuguesa de reformarem seus estádios.

Como diria aquele famoso jornalista, "Isto é uma vergonha".

Valeu!

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Destruição do futebol brasileiro fase III - mudança do calendário!!




Nação,

Aproveitando a folga da tabela no meio da semana, e já que o Timão não está causando suspiros, e sim calafrios, vamos tocar num assunto fundamental e que vem sendo tratado de forma irresponsável pela mídia esportiva.

Diante do desmanche do Corinthians, e da venda de jogadores importantes de outras equipes, começamos a vivenciar um debate barato sobre como enfrentar a tal da janela das transferências internacionais, que acontecem nos meses de janeiro e agosto.

A mídia esportiva, despreparada em alguns casos, e má-intencionada nos outros, vem batendo na tecla que a solução para todos os problemas do futebol brasileiro é a adequação do nosso calendário ao calendário europeu.

Tem um ditado no mundo empresarial que diz o seguinte: para todo problema complexo existe uma solução fácil... que está errada.

Lógico que a solução para o êxodo do futebol brasileiro para o exterior não está no calendário. O que vai impedir um jogador sair, já que a janela continuará a existir no mesmo período?

Não é por isso que eles saem. E a imprensa esportiva, despreparada em alguns casos e má intencionada nesse, sabe disso.

Eles saem porque são de propriedade de empresários e investidores ocultos, que precisam fazer lucro com a negociação, independente dos interesses do clube e do próprio atleta.

E vai continuar sendo assim, porque essa é a atual estrutura do futebol brasileiro, é o modelo vigente.

Modelo que foi criado pela Lei Pelé. Antes dela, os jogadores eram patrimônio do clube. Eram vendidos também, mas em número muito menor. E rendiam muito mais para os clubes.

Após a Lei Pelé, os jogadores viraram mercadoria. De feira. São vendidos aos quilos, dúzias. E não rendem praticamente nada aos clubes, somente aos seus donos, os empresários.

E a proteção da imprensa esportiva a essa Lei e a figura dos empresários não parece ser fruto de um despreparo. Todo mundo gosta de dinheiro, e jornalista não seria diferente né?

A Lei Pelé foi aprovada guela abaixo. Não se discutiu com a população. Os seus defensores, verdadeiros ditadores das idéias, não admitiam o menor questionamento. Desqualificavam todos aqueles que ousavam falar algo negativo. Ou eram os cartolas, bandidos, ou o povão, medíocre e ignorante, conforme relembrado agora pelo brilhante Mário Gobbi.

Tudo aquilo que as pessoas sensatas diziam sobre os efeitos da lei pelé já viraram realidade hoje. Dezenas, centenas de clubes importantes do interior do Brasil fecharam. E os grandes clubes viraram barriga de aluguel, utilizados apenas para gerar "talentos" que serão vendidos na primeira oportunidade.

A malfadata lei foi a fase I da destruição do nosso futebol.

A fase II foi a adoção desse campeonato modorrento por pontos corridos. Apenas 20 clubes, num país de dimensões continentais, e com 4 caindo.

Resultado, todo ano um grande clube cai. Isso é bom? Vão dizer que pagam pela incompetência. Ok, mas repito a pergunta: é bom?

Nos países europeus existem 2 ou 3 clubes grandes, com história, torcida e reais condições de brigar pelo título. Logo, eles concentram os investimentos, e por isso a sua queda é quase impossível.

No Brasil temos 12 clubes grandes, e mais uns 12 médios, com história, títulos, e muita torcida.

A probabilidade de um grande cair é real, independente da gestão. Porque 12 por 20 é uma proporção muito maior do que 3 por 20, concordam?

Mas não tem jeito, poque o campeonato por pontos corridos, turno e returno, obrigatoriamente é longo. Então, 20 clubes é o limite.

Aí ficam de fora vários clubes de diversos estados do Brasil. Nenhum clube na região norte, apenas 1 ou 2 do nordeste, e domínio da região sul e sudeste.

É isso que podemos chamar de campeonato nacional?

Não por acaso o brasileiro tem gostado muito mais da Copa do Brasil do que desse tal campeonato brasileiro.

Bom, agora como gran finale, os gênios propõem a mudança do calendário, ficando igualzinho aos europeus.

Eu não sei se estou errado, mas desde que nasci eu achava que era brasileiro. E todos aqueles que vivem no mesmo país que eu também considerava como brasileiros.

Mas para os vira-latas da mídia desportiva nós somos europeus inadaptados.

Querem que o campeonato comece em um ano e termine no outro. Comece em agosto, e tenha seu ponto alto em janeiro e fevereiro, meses de férias e carnaval, no auge do verão.

Fisiologistas são totalmente contra. Mas não são ouvidos.

Torcedores são contra. Também não são ouvidos. Pior, são manipulados. Utilizam do momento de angústia pela perda dos principais jogadores, e tentam vender ao torcedor que tudo se resolve com essa rídicula mudança de calendário.

Um ou outro jornalista é contra. E, lógico, é solenemente ignorado pelos demais.

Faço aqui uma menção honrosa ao José Roberto Wright, comentarista de arbitragem da Rede Globo e colunista no Lance. Ele é a voz isolada, único que, como nós torcedores, diz que a Lei Pelé precisa ser mudada, e único que diz que a mudança de calendário será um absurdo e decretará de vez o fim do futebol brasileiro.

Só para não dizer que apenas criticamos e não damos soluções, aí vão algumas simples:

1-) não precisa mudar calendário; basta apenas que nosso campeonato brasileiro comece no início de agosto e termine na última semana de dezembro antes do Natal. A janela se tornará tão pequenininha, e com tão pouco tempo de exibição das "mercadorias" que certamente diminuirá a venda para o exterior;

2-) férias aos jogadores durante o mês de janeiro;

3-) pré-temporada no mês de fevereiro;

4-) disputa dos campeonatos estaduais, Copa do Brasil e Libertadores no primeiro semestre;

5-) inter-temporada em julho, com direito a excursão dos times brasileiros, participando de torneios internacionais.

Prontinho. Sem loucuras, sem devaneios, sem desonestidade.

E ainda mantendo a Lei Pelé do jeito que os bandidos gostam.

Porque a salvação do futebol brasileiro mesmo seria a revogação dessa lei, e a extinção do lixo criado por ela, os empresários.

Mas isso é pedir muito e sonhar alto demais.

Valeu!